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Viagens, momentos e histórias pelo mundo afora.

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Tel Aviv é uma cidade cheia de vida, cosmopolita, moderna e dinâmica. A cidade que conquistou meu coração com seu sol, sua praia e seu brilho próprio, oferece diariamente um leque de opções de eventos e atividades para todos os gostos e idades. Além disso, em Tel Aviv encontramos lugares que se tornam parte da nossa rotina; o lugar que vamos quando queremos fazer uma caminhada, refletir, encontrar os amigos, sair com a familia e assim por diante.

Hoje citarei cinco dos meus lugares preferidos em Tel Aviv, os que mais me marcaram e mais deixaram saudades:

1. Tel Aviv Port (Porto de Tel Aviv): O Porto se tornou minha segunda casa em Tel Aviv.  Eu tive a sorte de morar perto do local, então aproveitava para fazer longas caminhadas – que acabavam me levando às praias mais populares de Tel Aviv – encontrar amigos ou simplesmente assistir o pôr do sol. Acho o pôr do sol à beira do mar um espetáculo da natureza. Coisa linda de ver!
O Tel Aviv Port foi o primeiro porto hebraico em 2 mil anos. A idéia de construí-lo nasceu em 1913, mas o projeto só começou a ser colocado realmente em prática após a Revolta Árabe de 1936-1939, que resultou no fechamento provisório do porto de Jaffa. Como o governo na época não tinha condições de investir na construção do Porto, empresas privadas e residentes tiraram do próprio bolso para que o projeto fosse concluído. Com o começo da Segunda Guerra Mundial e outros acontecimentos, o Porto foi fechado e somente em 2001, deu-se início à sua reconstrução.

O Porto de Tel Aviv tem um pouco de tudo: restaurantes, cafeterias, lojas, eventos culturais, parquinho para crianças, pista para ciclistas, karaokê e salões de beleza; uma boa escolha em qualquer dia da semana e em qualquer situação. A vista para o mar e as várias opções de lazer fazem do Porto um dos destinos mais populares entre familias, casais e amigos, principalmente nos finais de semana.

2. Jaffa (também conhecida como Yaffo): Jaffa é única e diferente de todos lugares que conheci em Tel Aviv. Foi o primeiro porto marítimo de Israel e um dos mais antigos do mundo. Serviu também como um dos principais pontos de entrada em Israel, principalmente durante o século 19, quando judeus do mundo inteiro começaram a imigrar para a Terra Santa.  Jaffa era e continua sendo dominada pelos árabes, preservando suas raízes, seu povo e parte dos seus costumes.
Adoro passear pela Antiga Jaffa, sentir o cheiro das especiarias árabes, observar as pessoas conversando em árabe ou em hebraico… Que lugar mágico!
Jaffa foi um dos primeiros lugares que conheci assim que cheguei em Tel Aviv. Fui caminhando pela orla da praia até que cheguei no final do trajeto, olhei para cima e vi uma mesquita, e uma escada que me levou até ao alto da cidade antiga de Jaffa. A vista do alto é indescritível. Senti uma paz e um sentimento de serenidade. Naquele momento, percebi que havia me apaixonado por Jaffa.

3. HaYarkon Park (Ganei Yehoshua): Quantas caminhadas e boas lembranças eu tenho desse lugar! O Yarkon Parque, próximo ao Porto, é um dos maiores parques urbanos de Israel e o maior do município de Tel Aviv, espalhando-se por 3.750.000 metros quadrados. O parque inclui gramados, jardins botânicos, instalações esportivas, áreas de piquenique, pistas de corrida, ciclovias, playgrounds para crianças, e um rio que percorre o parque e o deixa ainda mais bonito. Localizado no norte de Tel Aviv, o Yarkon é também um dos maiores espaços para eventos musicais ao ar livre. Inúmeras estrelas da música nacional e internacional já se apresentaram no local, incluindo Paul McCartney, The Rolling Stones, Madonna, David Bowie, Elton John, Aerosmith,  U2, Justin Timberlake, Justin Bieber, Sia, Lady Gaga, e Rihanna.

O Yarkon parque é o lugar ideal para quem quer escapar do ritmo frenético da cidade, estar em contato com a natureza, fazer caminhada e espairecer.

4. Sarona Market: Esse paraíso culinário fica localizado no centro da cidade, próximo do Museu de Arte de Tel Aviv. O Sarona é o maior complexo interno de culinária de Israel, reunindo 91 lojas, barracas e restaurantes de alta qualidade. O Sarona oferece também áreas de recreação para crianças, espetáculos e eventos culturais, além de pequenos jardins que embelezam o local e proporcionam uma atmosfera relaxante, ideal para quem procura uma atividade tranquila ao ar livre.
Dica para chocólatras: 
Não deixe de visitar o famoso restaurante Max Brenner, no Sarona. O restaurante, especializado em chocolate, serve vários pratos de chocolate e é um mais gostoso que o outro (confira algumas fotos abaixo).

Neve Tzedek: Esse bairro é um charme! Neve Tzedek foi o primeiro bairro judeu fora da antiga cidade portuária de Jaffa. Seu estilo arquitetônico, suas ruelas pitorescas, lojas de design de vanguarda, boutiques de moda e lojas de artesanato, além de bistros, cafés e restaurantes, tornaram Neve Tzedek um dos destinos mais populares em Tel Aviv. Minha primeira impressão de Neve Tzedek foi de uma elegância atípica, onde o clássico e o contemporâneo se misturam em perfeita harmonia, criando um ambiente artístico, agradável, convidativo e exclusivo.

Existem muitos lugares fantásticos em Tel Aviv, mas nesse post eu quis realmente focar nos meus favoritos. Se quiserem mais dicas, me escrevam aqui no blog que responderei assim que puder.

Bom, é isso. Espero que tenham gostado 🙂
Não deixem de visitar Tel Aviv, é uma cidade realmente incrível!

Boa semana a todos!

 

A antiga cidade de Petra, na Jordânia, foi a capital dos árabes nabateus e é hoje o destino mais popular do país, atraindo um grande número de turistas e curiosos dispostos a desbravar seus mistérios. Admirada por sua arquitetura imponente esculpida em rochas, sua história milenar, exuberantes belezas naturais, e por seu sistema de canalização de água, Petra é patrimônio mundial da UNESCO e um dos tesouros nacionais.

Decidimos nos hospedar numa tenda beduína do Seven Wonders Bedouin Camp e foi uma experiência incrível. Foi bem difícil achar o local mas assim que chegamos fomos muito bem recebidos. O responsável pelo estabelecimento nos deu toda a atenção, nos entregou um mapa da região e deu sugestões do que ver ou fazer nos dias seguintes.

Assim que chegamos, deixamos as coisas na tenda e fomos para o Petra by Night, um evento que permite conhecer parte da cidade à luz de velas e explorar a cidade antiga. As velas são colocadas no chão dos dois lados enquanto caminhamos entre as paredes de formações rochosas. O final da caminhada nos leva ao Al Khazneh, uma das atrações mais importantes e impressionantes de Petra. Mais de 1.500 velas são colocadas na frente do monumento, os participantes se sentam no chão e então começam as apresentações musicais com flautas e outros instrumentos típicos da região  e da cultura local. Foi um momento mágico e de muita paz. Super recomendo!

O evento Petra by Night acontece todas as segundas, quartas e quintas-feiras, à partir das 20h30.

No dia seguinte, após o café da manhã, voltamos novamente para o Centro de Visitantes e começamos a explorar a cidade. Fizemos amizade com alguns beduínos, tomamos chá com eles no alto de uma montanha, escutamos suas histórias e continuamos nosso trajeto. Tivemos que subir mais algumas montanhas e foi bastante cansativo mas tivemos uma visão privilegiada de Petra.

Na parte da tarde, visitamos o Museu sobre a história de Petra, localizado na entrada do Centro de Visitantes:

A noite terminou com uma passadinha numa confeitaria e um jantar num restaurante no centro da cidade.

A parte mais urbana da cidade é bem pequena e sem grandes atrações turísticas, mas acho que também vale a pena conhecer, mesmo que rapidamente. A antiga Petra é linda, cheia de belezas naturais, riquezas culturais e histórica, um lugar realmente fascinante. Porém, se você for curioso como eu e quiser ter uma idéia de como é o dia-a-dia dos residentes de Petra, a melhor opção é dar uma volta no centro. Caminhamos pelas ruas, entramos em algumas confeitarias e lojinhas, conversamos com moradores locais, observamos o estilo das casas e das escolas e a interação das pessoas. Estar entre residentes nos ensina muito sobre a cultura local e sobre os aspectos socio-econômicos do lugar.

Falando-se de economia, um fato que me chamou atençao foi o alto custo de vida na Jordânia e como a moeda deles é forte. Gente, a moeda deles é uma das mais caras do mundo, superando até mesmo a libra esterlina. Por exemplo, 100 dinar jordaniano corresponde a aproximadamente 141 dólares/459 reais ou 106 libras. Tem que ir com o bolso preparado!

De fato, muitas familias não têm uma boa condição financeira e isso se reflete, por exemplo, na educação das crianças, que muitas vezes precisam faltar escola para trabalharem e ajudarem nas despesas da casa. Encontramos várias crianças nas áreas turísticas tentando vender cartões postais ou outros souvenirs. Conversamos com algumas delas. Uma nos pediu um pouco da água que levávamos na parte externa da mochila. Outra, foi correndo comprar alguns biscoitos assim que nos vendeu um dos seus cartões portais. Ver crianças tão amáveis, alegres, espertas e cheias de vida vivendo dessa forma, foi no mínimo motivo de reflexão. Sei que essa é, infelizmente, a realidade de muitos, mas não quer dizer que devemos nos acostumar, nos conformar ou fechar os olhos à realidade que nos cerca.

Petra foi uma viagem marcante em vários sentidos, uma experiência de vida que me enriqueceu como ser humano. Viagem bastante e sejam transformados pela incrível oportunidade de conhecer o que hoje desconhecemos.

O deserto de Wadi Rum, também conhecido como Vale da Lua, localiza-se no sul da Jordânia e é atualmente um dos lugares mais procurados por turistas no país. Com uma história milenar, Wadi Rum é considerada área protegida sob os cuidados da municipalidade de Aqaba e é também patrimônio mundial da UNESCO. O local foi habitado por vários povos, incluindo pelos Nabateus, antigo povo semítico que desempenhou um papel importante na história no Oriente Médio.

Com o passar dos anos, Wadi Rum foi se destacando por seus aspectos naturais e culturais, se tornando uma das locações principais de filmes como o Lawrence da Arábia (1962) e Planeta Vermelho (2000), onde o local foi utilizado para replicar a superfície de Marte.

Alguns imaginam o deserto como uma extensão vazia, sem grandes atrativos culturais, históricos ou sociais, mas não é bem assim. Além de montanhas de areias de tom avermelhado como o Jebel Um Ishrin e arcos naturais como o Burdah Rock Bridge, Wadi Rum possui esculturas pré-históricas em formações rochosas e várias inscrições petróglifos (desenhos/escritas simbólicas gravadas na rocha) como vemos na foto abaixo.

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Foto tirada no Khaz’ali, Wadi Rum

Nosso Dia em Wadi Rum:
Nosso dia foi organizado pela Wadi Rum Nomads. Começamos com um passeio de camelo até o Centro de Visitantes de Wadi Rum, onde paramos para tomar um chá/café juntamente com outros turistas que se encontravam ali.

Em seguida, em uma espécie de Jeep, nosso guia nos levou para conhecer os principais pontos turísticos do deserto, incluindo o Jabal Umm ad Dami, o Lawrence’s Spring, o Mushroom rock, o Rock Bridge,  o canyon do Abu Khashaba, Um Sabatah, Um Fruth rock bridge e outras atrações.

Comida Beduína:
As refeições foram preparadas pelos nossos guias beduínos. O almoço foi bem simples mas o jantar foi maravilhoso: frango, batata assada, arroz e salada, tudo feito no ‘zarb’, um forno subterrâneo coberto de areia no deserto. O longo processo de cozimento produz sabores deliciosos.

Durante o almoço e o jantar com os beduínos, tivemos a oportunidade de bater-papo com eles e entender melhor como vivem e como pensam. Eles nos contaram, por exemplo, como caçam cabras selvagens nas montanhas altas do deserto, como sabem distinguir onde estão as cobras pelos rastros deixados na areia, por que amam morar no deserto e por que não deixariam Wadi Rum por nenhum lugar no mundo. Os beduínos são um povo nômade, em sua maioria muçulmanos, que vive nos desertos do Oriente Médio e no norte da África. Alguns dormem em casas, outros em tendas e outros nas cavernas das rochas.

Um dos momentos mais marcantes do jantar foi quando começaram a tocar e cantar músicas típicas da cultura local. É incrível como a música é uma linguagem universal e como tem o poder de nos tocar, de nos envolver e de nos conectar com pessoas muitas vezes tão diferentes de nós.

Dormindo com as Estrelas no Deserto
Dormimos no deserto ao aberto, contemplando as estrelas e a lua. A lua cheia nos iluminava e clareava todo o deserto. Como alguém que nasceu e cresceu na cidade, nunca nesses anos todos eu havia percebido a intensidade do brilho da lua. De repente ela não parecia mais tão distante; estava ali exuberante e me acompanhando naquela aventura. Enquanto olhava para o céu, comecei a refletir sobre a vida, sobre Deus e sua criação, em como a correria do dia-a-dia muitas vezes nos impede de desfrutar da natureza e até mesmo de notá-la. Confesso que levei algum tempo pra dormir por causa da claridade, mas aquela foi uma das experiências mais incríveis da minha vida.

Acordamos no dia seguinte, tomamos café e partimos de Wadi Rum para a cidade de Aqaba, onde cruzamos a fronteira e voltamos para Israel.

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café da manhã no deserto

No geral, minha experiência em Wadi Rum foi maravilhosa e super recomendo. Se quiser saber mais detalhes sobre a viagem, deixe um comentário aqui que responderei assim que puder.

Boa viagem, companheiros!

Há poucos dias, tive a oportunidade de conhecer Nablus, uma importante cidade na Cisjordânia, região palestina. Nablus é a antiga cidade Bíblica de Siquém e possui uma história milenar.  Siquém foi a primeira capital do Reino de Israel e onde Abimeleque foi coroado rei. A antiga cidade foi destruída pelos assírios no século VIII a.C. e foi dominada por vários povos antes de se tornar o que vemos hoje: o maior centro comercial, industrial e agrícola da região norte da Palestina.

Não existe transporte público direto de Israel para Nablus. Tivemos que pegar um ônibus de Jerusalém a Ramallah e de Ramallah a Nablus. Chegamos por volta das 11h da manhã. Começamos nosso dia caminhando pela Cidade Velha, entre as inúmeras barraquinhas da feira. Além de quibe e falafel, compramos alguns doces tipicamente árabes, como o knafe, e mal podíamos esperar para provar o que havíamos comprado. Tiramos a comida da sacolinha, e na primeira mordida, vieram reclamar que não podíamos comer porque era Ramadã, o nono mês do calendário islâmico onde os muçulmanos jejuam do nascer ao pôr do sol, pelo período de um mês. Enquanto isso, tirei minha garrafinha de água da bolsa; com o calor que fazia, era natural sentir sede. Novamente, se incomodaram e me pediram para não tomar nada em respeito ao Ramadã. Tive que evitar beber e comer em público. Foi complicado…

Saímos da Cidade Velha e fomos visitar o Poço de Jacó, localizado no subsolo de um monastério grego ortodoxo, próximo da aldeia de Balata. A igreja foi construída sobre o poço, destruída, e mais tarde restaurada pelos cruzados, antes de se tornar o monastério que vemos hoje. Descemos algumas escadas e entramos em um pequeno cômodo no subsolo. De repente, o calor intenso se desfez e o ar fresco tomou conta do lugar. Olhei para um lado e para o outro, na tentativa de me familiarizar com o ambiente, e percebi que na minha frente estava o Poço de Jacó. Tive um ‘flashback’ da minha infância; lembrei do louvor que cantávamos na igreja quando era criança. Uma das minhas canções favoritas agora ganhava vida e fazia ainda mais sentido. Nós cristãos acreditamos que foi alí que Jesus falou com a mulher samaritana.
Ao lado do poço, fica um balde cheio de água com uma caneca de alumínio, usada para demonstrar aos visitantes a profundidade do poço. Somente depois de vários segundos escutamos o barulho da água batendo no chão, realmente impressionante. A pessoa que nos mostrava o local explicou que o poço possui aproximadamente 40m de profundidade e mais de 3 mil anos de existência.
Foi um momento surreal e inesquecível! Infelizmente, só é permitido tirar foto da igreja.

Uma das atrações mais importantes e sagradas em Nablus é o túmulo de José, que seria teoricamente nossa próxima parada mas que infelizmente não pudemos visitar devido às restrições de acesso. No inicio da Segunda Intifada (setembro de 2000), o exército israelense se retirou do local e a Autoridade Nacional Palestina (ANP) passou a controlar o mausoléu. Contudo, depois de uma onda de violência em outubro do mesmo ano, onde palestinos destruíram o túmulo de José, saqueando o interior e destruindo os artefatos judeus encontrados dentro, o exército israelense (IDF) passou a coordenar juntamente com a ANP o acesso de fiéis judeus que querem visitar o local para oração. Em 2015, um grupo de 30 judeus tentou entrar no local sem autorização e foram recebidos com hostilidade por parte dos palestinos. Só conseguiram sair da região graças à ajuda da polícia palestina.

Seguimos nosso trajeto até o monte Gerizim, um lugar considerado santo pelos judeus e pelos samaritanos. O templo samaritano foi construído no monte Gerizim no século IV a.C, mas foi destruído várias vezes por diferentes povos até o imperador bizantino Zenon construir uma igreja no local, em 484.
Atualmente, estima-se que existam apenas cerca de 600 samaritanos, a metade vivendo em Nablus e a outra metade na cidade de Holon, perto de Tel Aviv. O bairro samaritano fica no oeste do monte Gerizim. No meio do quarteirão, há uma sinagoga que contém manuscritos da Torá Samaritana, datada da época do 13º ano da colonização dos israelitas em Canaã. Os samaritanos acreditam que foi no monte de Gerizim que Abraão teria levado Isaque para sacrificá-lo. O monte continua sendo um centro espiritual para os samaritanos, onde todos os anos, fazem um sacrifício anual de Páscoa.

DICA: Como a maioria dos habitantes de Nablus é muçulmano, sugiro não visitar a cidade durante o Ramadã, simplesmente para evitar conflitos com residentes locais em relação a consumação de alimentos ou bebida em público.

Nablus não é uma cidade propriamente bonita, chique ou elegante. Sua beleza está na sua riqueza histórica, nos resquícios da sua cultura milenar. Foi uma oportunidade de conhecer pessoalmente lugares que até então só conhecia através da Bíblia.

Meu mestrado em segurança e diplomacia me ensina a teoria; essas viagens me ensinam na prática o que aprendo na teoria. E quanto mais aprendo, mais percebo que tenho um longo caminho a percorrer. A estrada do conhecimento tem um começo mas não tem fim; existe sempre algo novo a ser descoberto.

Continuem acompanhando o blog. Nos próximos posts falarei sobre a minha viagem à Petra e ao deserto de Wadi Rum, na Jordânia.

Tel Aviv é uma cidade praiana, com gente despojada e em sua maioria pouco religiosa. É também o coração econômico e cultural de Israel, com uma das maiores densidades de start-ups do mundo. Por esses e outros motivos, Tel Aviv atrai um grande número de profissionais e estudantes internacionais, o que a torna uma cidade cosmopolita e diversificada.

A sensação, assim que cheguei em Tel Aviv, era de estar no Rio de Janeiro. O calor, o céu azul, a praia e o estilo mais informal das pessoas, me davam a impressão de estar em um Brasil meio oriental, mais seguro e menos passivo. Tel Aviv é uma mistura de influências ocidentais e orientais resultado da imigração dos judeus da diáspora antes e depois da proclamação do Estado de Israel, em 1948. Essas mistura de influências, somado a aspectos sócio-culturais e econômico, transformou Tel Aviv em uma cidade jovem e moderna, que preza a diversidade, a liberdade de expressão, a tolerância às diferenças religiosas e às divergências de opiniões.

Essa liberdade se reflete na dinâmica da cidade e no estilo de vida dos residentes. Apesar de Tel Aviv seguir um estilo tendencialmente mais secular, encontramos de tudo nas ruas: judeus religiosos com suas longas vestes e chapéu preto, muçulmanas vestidas conforme às leis islâmicas, mulheres de mini-saia, short curto e decote, homens sem a kippah (acessório religioso usado por homens para cobrir a cabeça) ou qualquer vestimenta religiosa, jovens bebendo e fumando nas calçadas dos bares, e casais gays caminhando pelas ruas. Esse é o cenário típico em Tel Aviv e o mais interessante é que todos convivem harmoniosamente.

Tel Aviv oferece uma variedade de eventos sociais e culturais, além dos incontáveis restaurantes, bares, boates, cinemas e teatros, e é considerada uma das cidades mais badaladas do mundo e o melhor lugar para jovens na região do Oriente Médio. Tel Aviv é também vista como “A Capital Gay do Oriente Médio” e atrai um grande número de pessoas da comunidade LGBT com o ‘Tel Aviv Gay Pride‘ um dos maiores eventos que acontece todo ano em Tel Aviv.

Para quem curte natureza, além da praia, Tel Aviv possui parques floridos, com pequenos lagos, brinquedos para crianças, e pista para ciclista e pedestre. Um dos lugares que mais gosto é o Porto de Tel Aviv. Adoro caminhar pelo Porto e contemplar a calmaria do mar, os pássaros sobrevoando o céu azul, homens pescando, famílias passeando, e a agitação das pessoas se aglomerando nas inúmeras lojas, restaurantes e lanchonetes durante os finais de semana.

Morar em Tel Aviv é viver em uma cidade aberta ao novo, disposta a encarar desafios em meio a uma sociedade eclética, curiosa e cheia de vida. É ter a liberdade de escolha e a oportunidade de conhecer gente do mundo todo, de entrar em contato com outras culturas e desbravar o desconhecido. É estar no Oriente Médio com a possibilidade de levar um estilo de vida ocidental, em todos os aspectos.

Antes da minha primeira visita a Israel, no verão de 2012, eu imaginava a Terra Santa de uma forma bem diferente. Tel Aviv foi rápida em me mostrar um outro lado da moeda, o lado menos religioso e pouco conservador. Tenho vivido dias inesquecíveis em Tel Aviv e sentirei saudades dessa cidade quando for embora.

No próximo post vou compartilhar com vocês meus lugares preferidos em Tel Aviv. Não percam!